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Gestão de estoque: entenda a diferença entre PEPS, UEPS e MPM

Gestão de estoque: entenda a diferença entre PEPS, UEPS e MPM
Escrito por Finanças 360°

Se você é um empreendedor ou trabalha com gestão financeira, um dos seus principais objetivos deve ser reduzir as perdas e desperdícios. Para isso, é essencial realizar uma gestão de estoque de qualidade, uma vez que ela permitirá que você controle as mercadorias de maneira adequada e aumente a eficiência do uso das matérias-primas. 

Porém, para atingir esse objetivo, é essencial que você conte com metodologias eficazes. Entender como funciona cada uma delas é o primeiro passo para que a sua empresa consiga escolher a mais adequada de acordo com as suas necessidades.

Se você faz parte desse time ou não sabe muito bem qual método de avaliação é o mais adequado para a sua organização, é hora de mudar essa situação! Neste artigo, você entenderá tudo sobre gestão de estoque, assim como as principais metodologias existentes.

Quer saber mais? Leia agora mesmo nosso post e descubra como tomar decisões mais conscientes sobre o gerenciamento do seu estoque!

O que é estoque?

Estoque é qualquer quantidade de materiais armazenada para ser utilizada no futuro. Os produtos que fazem parte dessa área variam de acordo com a atividade da empresa. 

No caso da indústria, por exemplo, o estoque é composto de matéria-prima, produtos acabados e materiais auxiliares. Já no comércio, são as mercadorias para revenda que compõem essa seção, enquanto o setor de serviços conta com um estoque composto de todos os materiais necessários para a realização das suas atividades. 

Portanto, essa área do seu negócio é essencial para que os processos e atividades funcionem de maneira excelente. E, para isso, é importante contar com uma gestão de estoque de qualidade. 

O que significa fazer uma gestão do estoque?

Atender todas as demandas de materiais e equipamentos necessários, no momento adequado e na quantidade correta, para a realização das atividades da sua empresa, exige planejamento. É nesse cenário que o gerenciamento do estoque surge como um grande aliado do negócio.

Esse processo abrange a organização, o planejamento e o controle das mercadorias armazenadas pela sua empresa. O seu principal foco é o fluxo de materiais, ou seja, o registro e o acompanhamento da entrada e da saída de produtos da organização. O principal objetivo é entender quando repor cada tipo de mercadoria e a quantidade adequada, de forma a evitar perdas ou falta de produtos.

Para atingir essa finalidade, é preciso que essa informação esteja disponível a qualquer momento, sem necessidade de medir ou contar fisicamente o inventário. A partir desses dados, diversas decisões podem ser tomadas com consciência e assertividade.

É possível determinar, por exemplo, os itens que devem ser comprados, quais produtos precisam ser fabricados, se alguma mercadoria deve ser destacada por estar em vias de vencer, entre outros processos.

Por que realizar uma gestão de estoque de qualidade?

Uma má gestão do estoque acarreta perdas para a sua empresa, uma vez que, além de gerar desperdício de produtos, representa estagnação do capital de giro do negócio, causando prejuízo. Dessa forma, existem diversas vantagens geradas por um controle de estoque eficiente. Entenda agora quais são elas:

  • evitar perdas, desvios, roubo e expiração de prazo de validade;
  • conhecer as necessidades de reposição;
  • identificar os produtos que estão sem giro;
  • compreender a influência do estoque nos custos dos produtos;
  • gerir a demanda por capital de giro;
  • repassar informações dos pedidos para a área de compras.

Portanto, o bom gerenciamento dos estoques garante que a empresa tenha informações para reposição e diminuição de produtos armazenados. Também é possível elevar a lucratividade da companhia, otimizar o fluxo de caixa e reduzir os espaços dos estoques.

Os sistemas de gerenciamento de estoque permitem viabilizar e otimizar a produção, reduzir os custos de fabricação e diminuir a possibilidade de erros. Quando é bem operacionalizada, você é capaz de diminuir — e muito — as chances de a empresa cometer alguma falha.

Como realizar uma boa gestão do estoque?

Faça um inventário

Comece fazendo um inventário de todos os itens que você possui no estoque. Selecione alguns colaboradores para realizarem a contagem e registre todos os produtos e materiais que você mantém armazenados.

Não se esqueça de separar os materiais de acordo com o seu tipo e anotar a quantidade estocada. Se possível, inclua também o valor de compra dos itens, assim como a data na qual foram adquiridos.

Classifique os produtos de acordo com a prioridade utilizando a curva ABC

Para uma boa gestão do estoque, é essencial que você entenda quais produtos ou materiais precisam de mais atenção. Um dos métodos para realizar essa ação é o chamado curva ABC, que permite separar os itens que têm maior impacto ou importância de acordo com o seu volume de uso mensal e a quantidade disponível em estoque.

Essa metodologia parte do pressuposto que a menor parte dos seus produtos corresponde à maior parte do seu faturamento. Portanto, itens que costumam estar em um volume mais baixo no estoque, geralmente, são os que têm maior participação nas suas vendas.

Comece calculando qual a proporção de cada produto em relação ao total do estoque, assim como a sua participação nas vendas. As letras A, B e C do nome do método representam classes, que são designadas da seguinte forma:

  • classe A: são os itens principais e que têm alta prioridade. Representam 20% dos produtos (correspondem a 65% a 80% das vendas);
  • classe B: são os itens considerados economicamente valiosos. Representam 30% dos produtos (correspondem a 15% a 25% das vendas);
  • classe C: é o restante, que representa 50% dos itens (correspondem a 10% a 5% das vendas).

Para entender melhor esse processo, imagine que você mantém 250 itens em estoque, e o seu faturamento total foi de R$ 90.000,00. Desses 250 itens, 47 são do mesmo tipo, e o valor total de venda desses materiais no último mês foi de R$ 70.468,00.

Dessa forma, eles seriam enquadrados na categoria de produtos de classe A, uma vez que correspondem a, aproximadamente, 20% dos produtos do estoque (em quantidade), com participação em quase 80% do seu faturamento do último mês.

Porém, essas porcentagens são apenas uma aproximação, podendo ser adaptadas no seu negócio. O ideal, aqui, é comparar a quantidade de materiais em estoque de cada tipo com a sua participação no faturamento do último mês. Assim, você consegue determinar, com assertividade, quais produtos fazem parte de cada uma das categorias.

Tome ações estratégicas em relação aos seus produtos

De acordo com a classificação dos seus produtos na curva ABC, você é capaz de tomar decisões sobre a recompra e o armazenamento desses materiais.

O elementos da classe A devem ser guardados em lugares estratégicos, para facilitar a sua colocação e retirada, uma vez que são os materiais com maior saída na sua empresa. Além disso, eles exigem um controle mais preciso da data de recompra, assim como da quantidade disponível em estoque.

Também é importante que você negocie a garantia de entrega com fornecedores para que eles nunca faltem na sua empresa.

Já os produtos de classe B e C, apesar de mais numerosos no seu estoque, têm um volume de saída menor. No entanto, eles não deixam de ser importantes, uma vez que aumentam o ticket médio do cliente e possibilitam a estabilidade da sua empresa.

Dessa forma, você pode controlar esses itens moderadamente, fazendo compras menos frequentes e de acordo com a demanda.

Quais são os métodos de gestão de estoque mais eficientes?

PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai)

Esse método prioriza a ordem cronológica de entrada dos produtos. Portanto, é privilegiado o uso do lote mais antigo de mercadorias até que as quantidades sejam esgotadas. Em seguida, é utilizado o segundo grupo mais velho e assim por diante. Para isso, é importante que o item em estoque seja armazenado de forma seriada.

Para entender melhor como funciona o PEPS, imagine que determinado item tem 3 entradas. A primeira contou com 20 unidades de R$ 15,00, a segunda registrou 30 elementos a R$ 14,00, e a terceira, 10 exemplares a R$ 17,00. Nesse caso, os primeiros elementos a serem vendidos devem ser os da primeira entrada (que custaram R$ 15,00).

Para determinar o preço de venda desses primeiros 20 produtos, você leva em consideração o preço de custo. Com o fim dos 20 itens, você passa a vender os produtos da segunda entrada e ajusta o preço de venda de acordo com o preço de custo (R$ 14,00).

Vantagens e desvantagens do PEPS

Esse é um método interessante para quem utiliza matérias-primas ou mercadorias que apresentam data de validade. A vantagem do PEPS é ter uma circulação contínua e ordenada de produtos, o que permite refletir, com mais exatidão, sobre o custo real dos itens. O valor dos estoques também se mantém atualizado se comparado ao preço da entrada mais recente.

Por outro lado, é preciso ter uma boa organização para conseguir controlar diferentes lotes e descobrir o custo do mais antigo. Outra desvantagem é a tendência de as primeiras compras terem um custo reduzido, o que gera aumento contínuo no preço de venda dos seus produtos, podendo resultar em insatisfação dos clientes.

Além disso, o estoque acaba ficando com um valor elevado e um custo reduzido, o que gera um lucro mais alto e exige o pagamento de mais impostos e tributos.

UEPS (Último a Entrar, Primeiro a Sair)

Nesse método, acontece praticamente o contrário do anterior. É utilizado o valor do último lote adquirido para calcular o preço de venda do produto. Ou seja, o que vale é o valor mais recente, porque são repercutidos os últimos gastos com a reposição de mercadorias. Além disso, há uma priorização da saída da última mercadoria que chega no estoque, a compra mais recente.

De maneira mais simples, o que acontece é que o produto que fica no topo da pilha, de mais fácil acesso, é o adquirido mais recentemente. No caso do exemplo anterior das 3 entradas, o custo das 10 primeiras mercadorias que saem é idêntico ao das 10 últimas entradas, ou seja, R$ 17,00. É com base nesse valor que você vai calcular o preço de venda dos seus produtos.

Dessa forma, o custo dos itens que saíram ou foram comercializados reflete o gasto das mercadorias compradas mais recentemente. O total mantido em estoque é calculado pelo último preço, que, geralmente, é mais elevado.

Vantagens e desvantagens do UEPS

Esse processo implica uma supervalorização do preço das mercadorias, o que gera um crédito positivo de materiais no final do exercício. Ou seja, quando você olha para o valor total do seu estoque, ele parece ser maior do que a quantidade de recursos financeiros investidos nele.

Em relação às questões contábeis, o UEPS faz com que o lucro seja menor uma vez que o estoque acaba adquirindo preço maior. Porém, exatamente por isso, a Norma Brasileira de Contabilidade não autoriza o uso dessa metodologia na emissão de documentos fiscais da empresa. Isso restringe o seu uso apenas ao controle interno de mercadorias.

Em outros países, como Alemanha, México e Estados Unidos, o UEPS pode ser adotado pelas empresas. Suas vantagens são a possibilidade de manter estimativas mais precisas, a maior adequação aos departamentos que contam com processos produtivos e a integração facilitada às previsões de lucratividade por mercadorias.

Outro benefício é possibilitar um ajuste mais eficiente e rápido na produção e nos valores cobrados do consumidor, ao mesmo tempo em que o lucro atingido em algumas operações é minimizado.

Por outro lado, o custo de reposição das mercadorias usadas não é trabalhado de forma imediata. Essa metodologia também não pode ser aplicada em todos os setores. Um exemplo são as empresas de gênero alimentício, que trabalham com produtos que têm data de validade e são perecíveis.

Uma desvantagem em relação ao modelo PEPS é que, no UEPS, o lote mais recente sempre é utilizado. Isso significa que, se determinado lote ainda não foi totalmente finalizado, mas um novo foi adquirido, o primeiro é interrompido na metade e começa-se a usar o lote atual.

Isso significa que é preciso monitorar diferentes lotes, que, muitas vezes, são usados apenas parcialmente. Para uma empresa que compra produtos com muita frequência, esse método pode não ser muito viável.

MPM (Média Ponderada Móvel ou Preço Médio Ponderado)

Esse é um dos métodos de mais simples utilização. O custo médio das mercadorias em estoque é o resultado da divisão dos saldos financeiros pelos físicos.

Para ficar mais claro, imagine que sua empresa mantém 20 unidades de um produto em estoque, que foram adquiridas a R$ 15,00, e comprou mais 30 itens, a R$ 14,00 cada. Nesse caso, o total armazenado é de 50 exemplares, que custaram, no total, R$ 720,00.

Para calcular o custo médio, é necessário que você divida os saldos financeiros (R$720,00) pelos físicos (50 unidades). Com isso, o custo médio desse produto no seu estoque é de R$ 14,40. Esse processo continua a cada lote novo adquirido.

Portanto, se há uma saída de 8 unidades pelo valor de R$ 14,40 cada, mas você adquire mais 10 unidades a R$ 17,00, o custo médio do produto em estoque passa a ser de R$ 14,90. Isso porque você contava com 52 itens armazenados que custaram um valor total de R$ 774,80 para a sua empresa.

Em outras palavras, o que acontece é que o valor da unidade é atingido pelo somatório das compras e pela divisão pela quantidade total do estoque. Esse processo é realizado em todas as aquisições.

Vantagens e desvantagens do MPM

O MPM é muito recomendado para realizar cálculos de custos pela contabilidade, mas não é indicado para formar os preços de vendas. Isso porque esse é o único método válido pela contabilidade de custos, já que oferece o valor de custo, de estoque e de lucro medianos.

Vale a pena destacar que, no Brasil, é uma exigência obrigatória obter o custeio por absorção real, na qual os custos contábeis são rateados e agregados à produção mensal. Esse é um dos motivos que justificam seu uso no país e sua aceitação pela Receita Federal.

Outra vantagem é a facilidade de implementação do método. O estoque passa por um controle permanente e, sempre que algumas mercadorias são adquiridas, refaz-se o cálculo dos custos. Esse monitoramento garante que o preço médio do patrimônio armazenado ofereça uma rentabilidade segura e mediana.

Como escolher o melhor modelo para o seu negócio?

A escolha pelo modelo mais adequado para a sua empresa depende do tipo e da área de atuação do seu negócio. Além disso, é importante considerar as necessidades específicas da organização em relação ao controle de estoque.

Apesar de não existir uma resposta pronta para essa decisão, existem algumas situações nas quais cada um dos modelos é mais adequado. Veja agora quais são elas:

Quando o PEPS é mais indicado

Essa metodologia é mais utilizada como maneira de limpar o estoque, ou seja, diminuí-lo ao máximo. Isso porque o fato de os produtos ficarem armazenados por um período de tempo mais longo aumenta o seu giro no estoque.

Além disso, o PEPS é muito recomendado para empresas que trabalham com produtos perecíveis uma vez que valoriza a utilização do item mais antigo. Dessa forma, evita perda de prazos de validade e desperdício de mercadorias.

Esse é também o método mais adequado para a tomada de decisão em questões gerenciais. Isso porque o valor dos custos de produção é mais próximo da realidade em comparação com os outros modelos de gestão. 

Quando há muita variação no preço de compra de produtos, esse modelo também se mostra como uma opção viável. Quando o preço de compra das mercadorias se eleva, os estoques são avaliados pelo valor das compras recentes e o lucro poderá ser mais alto devido à dedução dos custos valorizados das primeiras aquisições.

Por oferecer maior rotatividade de mercadorias, diminuindo o tempo de permanência no estoque desses produtos, esse problema é amenizado com a utilização do PEPS. Nesse caso, não há grande variação de preço entre os produtos mais antigos e os mais recentes.

Quando o UEPS é mais indicado

Apesar de ser um modelo muito interessante para uso interno da empresa, ele não é muito indicado devido ao fato de não ser uma alternativa viável perante a contabilidade da sua companhia. Apesar disso, a opção pelo UEPS permite comparar os custos e as receitas correntes, o que faz com que os estoques sejam avaliados pelas compras mais antigas.

Esse tipo de informação pode ser útil para a gestão empresarial do seu negócio. Porém, supervaloriza os custos dos produtos vendidos, reduzindo o lucro líquido da sua empresa. Com isso, há uma redução do valor de impostos calculados em relação ao lucro da organização, o que prejudica o fisco.

Por não ser permitido pela Receita Federal, o UEPS acaba gerando retrabalho, não sendo indicado — a não ser em situações muito específicas.

Quando o MPM é mais indicado

Esse método é o mais adotado nas empresas atualmente. O que justifica a adoção dessa metodologia é seu efeito estabilizante. Isso significa que as flutuações de preços são niveladas e refletem os custos reais de aquisição das mercadorias em longo prazo. Outra justificativa é o fato de ser o método de mais fácil aprendizagem e aplicação.

Neste artigo, você adquiriu um amplo conhecimento sobre o significado e a importância de uma boa gestão de estoque, assim como aprendeu mais sobre as metodologias eficazes para realizar esse processo com excelência na sua empresa. Como você pôde perceber, fazer o gerenciamento do estoque é uma atitude imprescindível para garantir o sucesso e a saúde financeira de toda companhia, o que faz com que seja indicada a sua adoção para que o seu negócio se mantenha competitivo no mercado. 

Uma boa gestão do estoque depende da utilização de um método de qualidade. Para isso, além de contar com as informações deste artigo, é importante que você tenha um conhecimento profundo sobre as necessidades e a área de atuação da sua empresa. Assim, você consegue tomar uma decisão assertiva sobre o melhor método de gestão de estoque para o seu negócio!

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Sobre o autor

Finanças 360°

Somos uma startup com a missão de facilitar o gerenciamento financeiro de pequenos e médios varejistas. Para isso, desenvolvemos um sistema de gestão financeira que faz conciliação automática de cartões, conciliação bancária, gerenciamento de contas a pagar e contas a receber, fluxo de caixa e DRE. Criamos esse blog com o intuito de compartilhar nossas experiências e fazer desse espaço um lugar de muita troca de conhecimentos.

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